sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Essencial


Fonte: http://www.bloginvoga.com/2013/07/20/vogue-coreia-agosto-2013-lee-hyun-yi-lee-hye-jung-e-mais-por-kang-hyea-won-editorial/


Há os que dizem da pureza íntima,
sem esquivar-se das essências e procedências reais.
Há os que pressentem as tendências
de casos cheio de descaso e rivélias.
Mas há os que meramente deixam ser,
ser puramente na distinção dos olhares,
nobreza que envolve sutilmente com delicadas notas
os dizeres sem palavras,
aprofundados em observações.

Desgosto



Toda poesia vazou pela pia. 
Irônica pia, condutora. 
Gotas de esgoto irônico. 
Desgosto de pia condutora. 
Errôneo pulso, entupido goteja fraco. 
Pia branca, sumindo, 
na vertigem que me assombra.
Banheiro fechado, clausura. 
Compartimento, entendimento, 
pia gotejando, transborda. 
Lavo meu rosto, minhas mãos,
não posso perder minha estima.
O desgosto, lavo,
lavo, espuma, espuma. 
Você bem que podia
dar-me um pouco de teu osso 
para eu seguir com minhas pernas agora.





























Adormecida

Dor... amortecida.
O corpo deitado já não toma decisões,
a ameaça intravenosa tomou espaço na corrente sanguínea,
os tubos apressados alimentam todas as paredes, sem piedade.
Os órgãos retroativos decidem rumo inverso.
À hora tranquila, inconsciente à espera corre.
Estendido o corpo, já faz parte comum, biopsicossocial.
Ainda há tempo para divagações,
a garganta seca, anti-terapêutica não emite som.
A presença prostrada vem confrontar o medo do fim,
a noite sopra o concreto absoluto,
refazendo no distanciamento qualquer apego,
nessa torre construída de papel em noite de chuva.

Umidade



Língua, dedos. 
Podemos ver toda a pele despida 
e tocar calmamente sentindo a umidade, 
os sons e o cheiro. 
Língua se arrastando,
saliva engolindo o gosto e o sal dos dedos. 
Podemos ver toda a pele despida e tocar calmamente, 
sentindo a umidade e refazer o caminho por horas, 
procurando sempre, até atingir na exaustão,
o aconchego dos dedos, da língua e da pele nua.

Extremos

Procurou as cores para se livrar do lado escuro da solidão,
empilhou lado a lado seus lápis de cera coloridos: - que brilho!
Continuou seu raciocínio, postando o corpo bem agasalhado
na mesa redonda, ocorriam-lhe pensamentos de atitudes
 pouco sociáveis, nunca escondeu de si verdades,
tinha o prazer de provocar suas feridas
só para machucar e sentir seus extremos.
O ser humano, divagou: - é composto de uma particularidade frágil,
temperamental, entre eles há uma coisa animal
capaz tanto de preservar como destruir a espécie.
Nada se tem de certezas,
sabe-se porém, que suas relações não são tão fiéis
e duradouras apesar de sua extrema peculiaridade desejável.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pescaria

Havia um homem que tinha a mania
de encher a cabeça de minhocas,
então seu amigo o levou para pescar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Paixão


Paixão se justifica por paixão...
Envolvimento poético inesperado,
tentativa de se expressar a emoção de um sentimento forte!
O fazer-se existir pela intensidade,
sobrepondo a lucidez e a razão.
O amor ardente, o afeto, a intensa sexualidade,
que correlaciona com o eu mais profundo dos protagonistas.
São sintomas: o domínio, a cegueira,
a obsessão, a angústia da espera, o martírio,
a flagelação, a intersubjetividade...
Um arrebatamento, a cólera e a disposição contrariam,
ou favorece o sentimento numa oscilação
entre a entrega e a manipulação.
Na paixão não temos tempo em viver pela metade,
o tempo não volta e o ritual ascende
uma composição mítica.
Entre o amor e paixão há a dor e a evidência do belo.
A paixão leva o inesperado como carro chefe.
A intensidade da paixão sobrepõe a lucidez e a razão.
Como se fosse uma cena de objetos brancos,
com a intenção de dar profundidade para o desejo,
propondo um diálogo de cor, som, odor e temperatura.
Cubo de gelo, flores vermelhas,
como forma de representação do duelo de choques,
o paradoxo da união com o outro
e a preservação da própria individualidade.
Paixão é um rito,
um estopim uma verdade particular,
um contrassenso, um campo de trigo
pronto para a colheita.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sangue de Rei (para meu filho Victor Demian)


Meu filhote dormia tranquilo na espera,
enquanto que eu o buscava sem raciocínio lógico,
pois, não cabia programação,
apenas extensão de sua pessoa.
Não marcamos hora, marcamos o encontro,
aguardei sua chegada
como quem aguarda o próximo renascer.
Acolhi seu universo dentro do meu ventre,
cantei o rito de sua passagem.
Debrucei na janela do horizonte toda a esperança,
e, depositei minha vida na sua grata pessoa.
Do contrato estabelecido apenas o meu amor,
e ao seu encontro fui com mãos vazias,
e cheia de amor e o imenso
desejo de lhe chamar de filho.
Eu me surpreendi com sua força e graça,
é como se fosse concedida a mim
a entrada para o infinito.
Assim a magia da vida se fez potência,
e hoje na verdade do nosso entendimento
brincamos de nomear estrelas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Agora

Queria ficar quetinha aqui ...
mas o energia da transformação
me chamava para fora.
Como meus dias não eram contados,
e meus pés eram descalços e
eu simplesmente descansava
me compunha para estar.
Meu repouso me permitia e assim fiz:
- aguardei a luz do dia.
Lá eu sabia que dentre todas as coisas,
o espírito de mundo me gerava
eu poeta garantia minha ideologia.
Hoje guardo a mesma cena em minha mente
onde meus pensamentos acolhem o mundo,
num filtro que quer apenas
garantir a imagem do ser pleno.
Eu então envolvida nesse manto vida
procuro transcender minha imagem cósmica
na transparência, e, nada mais que isso.
Garanto de minha parte o direito a vida!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Moribundo

O moribundo não desfalecia de vez.

Teimava em sustentar sua oscilação cardíaca.

Olhava para cadeira

preza no tempo,

- passado, presente e futuro.

Surtado na ira de seu desencanto.

Fragelava-se interpretando seu inconsciente.

A senhora dona da ingênua desgraça,

Nair Morais cativa da terceira cadeira,

congelada e renovada na esperança

de um mundo particular feliz.

A mulher invisível,

paixão frágil do abandono,

que sustentou, não apenas por um momento,

mas toda a sua vida.

Obcecado pariu sua morte,

se fechando na intersubjetividade de suas sensações:

- calou-se!

Marcas na areia

Cheguei a pensar que os fatos da vida
fossem como escritos na areia e que o mar os levassem.
Após cada tormenta desse mar chamado vida
eu esperava que a tempestade levasse suas marcas embora,
mas a natureza é sábia, tudo na vida se transforma, já compreendi.
Não tenho mais o medo destes tais sentimentos,
já os acomodei reescrevendo histórias pela areia.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O silêncio do gato

Não quero nada que avise o tempo.
Não quero muito que se possa o agora.
Quero querer agora um instante e nada.
Nada...
Silêncio....
Só eu mesma,
cismada
sozinha
por entre objetos.
O gato balançando o rabo,
o silêncio dos seus olhos calmos,
o nervo do seu rabo duro,
o suave de seus olhos loucos.
Avise o tempo que engano,
o silêncio que acaba,
e a preguiça que acalma.

Trama

Sob a fragilidade aparente
movia-se o ímpeto do condutor.
O condutor armou sua trama
ao gosto da envolvida
e como numa teia de viúva,
aprisionou o pequeno inseto
num kama-sutra.
Projetou em detalhes
o seu desejo,
enlameuou-a com mel,
tocou cada ponto de êxtase,
colando delicadas flores em seu corpo
e então ... comeu-a.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O martelo e a bigorna


O artista forja a chapa fria batendo
com a bigorna para moldar o metal.
Para ser um forjador de metal
tem que ser preciso,
nem forte, nem fraco,
sulcar na medida o imaginado
ou contar com os imprevisto
das grandes dificuldades.
É a arte e o criador
num momento único em simbiose plena.
O tempo urge dentro do inanimado,
do universo criativo e amoldam o fato.
Entre a bigorna e a chapa:
o tempo, o ouvido e o sentimento,
formando uma trilogia perfeita
necessária do arrefecimento
e o calor retomado pela pólvora
e o universo aquecido pelo movimento preciso.

Eu e minha consciência negra



Eu sou negra,
tenho sangue negro
com mistura europeia,
acidentalmente de pele branca.
Somos além da aparência
temos que nos enxergar
antes de tudo como ser humano.
O relacionamento com as pessoas
deve se dar pelo respeito
e pela consideração ao outro.
No entanto se reconhecer é o melhor caminho,
antes de qualquer processo.
O meu eu não nega minhas raízes.
Nessa minha ancestralidade
sou uma menina aprendendo
a me enxergar através do espelho do outro.
Viva todas as raças!
20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra!

sábado, 15 de novembro de 2008

Caixa de areia

Uma caixa de areia, um cachorro, foi tudo que comprou. Saiu pela manhã com o desejo imenso de rever o seu grande amor. Como era um dia de outono, pensou em ter essa atitude para reformular seu comportamento, selou sua carta e beijou sua medalha da sorte, privilégio de poucos ter amor e fé - pensou. Teve medo do futuro, não sabia muito bem compartilhar todo o desenrolar da história, sofreu. Acalmou-se após uns goles de conhaque, pensou que não tinha idade para se emocionar e nem tampouco desacreditar. Lembrou dos movimentos de épocas e ficou sossegado, por tudo que já tinha acompanhado por gerações. Seu costume pela solidão foi desencadeado por seu jeito definido de como gostava das coisas. Acreditou que aquela carta transformaria as dúvidas em respostas verdadeiras. O tempo que ficou consigo tinha lhe dado um composto de "curtição" que o deixava diferenciado - refletiu. Teve medo sobretudo porque, aquela manhã era outono, esse clima o deixava terrivelmente introspectivo, o seu esforço seria redobrado, em tomar uma atitude inversa do que já estava acostumado, a ponto de se preocupar com o costume de ficar só. Por outro lado, nessa vida e morte há fatos que não se escolhe - considerou. Caminhou naquela manhã mais leve, na certeza que havia tomado um caminho de volta, o da reconciliação -esperou. Por algum motivo a carta não chegou ao seu destino, por algum motivo o tempo passou vagarosamente, por algum motivo tudo se encaixou como sempre, na conspiração do universo no descontrole do destino. Sobre todas as coisas na mesma noite ocorreu-lhe uma canção em seu espírito, do incômodo de estar exageradamente em si. Beijou o cachorro e o deixou na estrada e da caixa espalhou toda a areia por toda a extensão do rio num abandono de si mesmo. A noite era de lua cheia, e percebeu o quanto as estrelas o sensibilizavam. Viu os grãos de areia tomando novo rumo espalhados à margem do rio caindo na correnteza. A espera o envolveu novamente nas coisas simples da vida. Retomando o que havia deixado para trás. Aprendeu com tranquilidade um novo quebra cabeça, no silêncio dos tempos desiguais das pessoas.

sábado, 8 de novembro de 2008

Pólvora


Os risco em fogo circulava
o conteúdo para além do limite.
Controlar pode,
como pode também contornar
para se chamar o inconsciente,
como um rito xamã.
Eu não estou só, arrisco e brinco com o tempo,
a chapa galvanizada me chama.
Tento dormir
mais suas faiscas me acordam
por entre os xamãs,
despertam minha mente
como uma criança buscando
um novo brinquedo e seus segredos.
Eu conto no seu ouvido enquanto a pólvora canta
vai marcando o abstrato sensível.
Eu não tenho medo
tenho é algo incontido
e os riscos que vão além do contrato
eu os percorro com todos os ritos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Argonauta

Algo surpresa eu pensei
mesmo muitos pensando ser comum ou fácil... não é.
É surpresa para mim.
Sei lá qual é o texto, qual é o diálogo.
Há algo entre linhas,
 algo entre vidas, sou eu o palco.
O eu como os outros espalhados po aí,
uma poeira cósmica,
uma varredura, um argonauta.
Eu dedilho o teclado, ouço música.
Você nem faz ideia, vem sem cessar.
É o além do permitir, apenas acontece e é só...
Acontece onde não há vaidade,
nem medo, só uma vontade,
vontade imensa e mais nada.
Logo tudo vira potência e explode em liberdade.
Libertando-se de mim
até mesmo o sentimento.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Bonecas ao sol (para Bândara)


A menina represa a água numa bacia com bonecas,
brinca de criança na varanda ensolarada,
o ritmo que se escuta vem de uma caixinha de música:
- será que a pequena menina também será bailarina?
Algo único invade aquele momento,
numa leitura entre meus labirintos,
em que a menina suavemente vai conduzindo
a corda para a saída longe dos medos.
Poderia não ter pressa
e dançar com ela pela varanda do tempo,
banhando de sol minhas tristezas.
Já não penso mais sozinha,
tenho raiz arejada no imenso tapete de grama,
da bela casa que toma toda dimensão entrelaçados de futuro,
pelos seus verdes olhos,
que vão projetando meus pensamentos
que invadem o universo sem frio, sem dor, só pensamentos.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Energia Universal




A força pessoal de cada um está contida no universo, 
somos essa potência universal,
pequenos microcosmos interligados.