sexta-feira, 10 de abril de 2015

Porque sim





Ainda bem que existe Walt Whitman, e suas folhas na relva,
suas delicadezas bucólicas, que servem para todos os poetas 
e deverasmente aos não poetas também.
Ainda bem que as folhas das gramas podem se estender sob o céu infinito
e ficar assim à me apreciar sem segredos
por entre, por embaixo e por minhas sombras, sem conflitos.
Só para eu poder me assentar com minhas iguarias afins
me deliciar sem pressa, sem culpa.
Ainda bem que Walt Whitman me isentou da culpa de ser humano.


Acordada

Utopias ou realidade?
Era digital que consome o mundo por utilidades.
Sucesso, devaneios, são quereres.
Somos mais que ferramentas
deste mundo que criamos e recriamos,
esquecendo de nossa humanidade.
Somos o convexo das emoções,
o saco dos caranguejos amarrados
querendo escapar para liberdade
e que se chocam em sua casca dura.
Somos o avesso, a deformidade, a leveza também.
Quem garante neste espaço do tempo em que vivemos,
que, a vida que assumimos está certa ou errada?
Parte de nós naufraga sempre depois de uma realização.
A dureza da vida trás-nos a traição das incertezas.
Concorremos não só com os espaços,
mas com a vida que está dentro de nós que tem seu limite de tempo.
Procuramos reproduzir na incansável busca sem fim
dentro de seu próprio tempo limitado.
Tocamos caminhos levados pelos pensamentos e emoções.
Hora e meia voltamos ao coração,
cabeça, pulso, respiração,
na oxigenação das células
como pensamento primário.
O mundo respira o que é criado,
sem saber que o que se cria é realmente útil.
Utilidade? Essa efêmera criatura criada por nós mesmos.
Logo a revolução está em trocar esta palavra,
mesmo que escondida em paraísos,
quem dera fosse essa a premissa de todas as horas,
e não o desejo apenas pelas realizações.