sábado, 13 de junho de 2015

A quinta essência


Que o cavalo não me passe selado, 
que o amor não me venha velado, 
que a vida possa em um sopro me deixar 
sempre na confortável 
postura de transitar nos caminhos 
onde a crença seja a liberdade múltipla. 
Por que o céu e o inferno dão a transparência às coisas, 
e o amor a ternura da vida. 
Mas de todas as apostas que temos que fazer, 
que sejam estas no mínimo as verdadeiras.
Só assim, a liberdade com certeza 
será imbuída de coragem, 
e eu só peço a coragem, 
para não replicar com a impotência
 o sentimento de falta de tesão. 
Que eu seja, sim, uma expedicionária 
com crença o suficiente
 para não castrar minha essência, 
e me apaixonar sim, 
sempre que por mim passar um cavalo bravo.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Sonhos



Caminhamos para o entendimento, 
trabalhando na contra-mão
do que é estabelecido. 
Manter-se no isolamento, 
é manter-se na ignorância 
do entendimento imposto. 
Temos a informação,
mas os meios ainda à projetam para confundir, 
sob a mecanicidade da ótica do poder. 
Essa é a falácia da meritocracia, 
desfaz os sonhos.
A sociedade criou uma ferramenta de proteção, 
onde errar não tem concerto: - esse é o engano.
O aprendizado é maior que a ordem social,
é tão imenso quanto a vida.

Aprendizado



Ignorar é desconhecer, 
a sabedoria é um estado de espírito do aprendizado. 
Na jurisprudência, já que ninguém esta isolado, 
cada um é responsabilizado por seus atos. 
É enganador o certo e o errado 
porque caminham lado-a-lado. 
Nesta mecânica que há na vida, 
todos precisamos sentir os fatos, 
com análise da informação e senso crítico. 
Como cada um age esse é o barato. 
No coletivo, onde as trocas se dão, 
quem põe sua pauta tem que sustentá-la 
de acordo com seu entendimento, 
e aguardar para receber a contrapartida. 
O que é o crescimento? 
Um passo à frente de seu tempo. 
Assim nada é o acaso, 
toda ação tem sua reação, 
ignorar este contexto é o mesmo 
que ficar no umbral do isolamento, 
perdido sem definição contextual, 
numa desventura.

Encantamento




O encanto da arte não é a estática,
como chão de terra batida: é a fluidez.
Ela nos carrega em suas águas,
mas cuidado, ela pode nos afogar,
quando dela nos apropriamos
de maneira particular.
A arte ensina-nos a flutuar, a nos desprender.
Essa é a maior de todas as recompensa,
a transmutação, o desprendimento.
Ela nos tira dos assombros e nos leva às revelações, 
nos libertando dos enganos de nós mesmos.
A arte traduz o intraduzível, 
e sopra como vento ultrapassando portas
já que não há trancas.
A arte é mais que sete vidas 
é metafísica, a plenitude do respirar.

Além de nós




Para conceber um aprendizado
temos que primeiro nos despir, 
para depois vestir uma nova roupa. 
Aprender é antes de tudo um ato de entrega. 
Para ser autêntico temos que romper
com os conceitos que estabelecemos, 
e para se entregar é necessário coragem
em lidar com os abismos dentro de nós.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Luxuria





Naquela manhã o tempo se cristalizou, 
era nítido que isso aconteceria, 
também com tamanha umidade relativa no ar. 
Respirei tentando não sufocar minha mente,
inspirei minha inquietação devagar, 
foi luxo converter-me em estar.

domingo, 7 de junho de 2015

Diante do espelho






Não mais subjugarei meu espelho
asseguro-me que não.
Perguntei-lhe esta noite:
- Você me ama realmente?
Uma mulher real e encantada
despejou minha fala:
- Agora não sou nada mais 
que esse desejo impaciente ,
desejo de ser feliz, 
desejo de você completamente.

sábado, 6 de junho de 2015

A Arte





Entre dramas e barrancos, 
entre os risos e a tragédia, 
entre a comédia e a razão,
entre o tempo e o nada, entre a farsa e a verdade, 
entre a vida e a morte: a ARTE! 
Arte que caminha lado a lado com a humanidade, 
que desperta o essencial perturbador de cada um, 
que provoca o tempo e a vontade. 
Essa efêmera potência subjetiva, que não podemos domar. 
A Arte fecunda que não aceita nada menos que a verdade, 
mesmo sendo ela cheia de enganos. 
A Arte, que tem por única ferramenta: o despertar, 
o desprendimento de si, sem limites. 
Nela mora a busca incessante até mesmo da não reposta, 
apanhada pela ilusão sem trégua, do se ir, se levar, 
além fronteira, para talvez quem sabe, 
na surpresa da vida se encontrar em algum momento pleno, 
onde se possa, com toda a potência, 
encostar a cabeça e por uma noite quem sabe, dormir em paz.