Poeta e arte-educadora "Pássaros criados em gaiolas não acreditam em seus vôos"
domingo, 24 de maio de 2015
Caminhada
Escolhemos os caminhos
que o sentimento por algum motivo
tenta entorpecer ou tornar realidade.
Este é o mistério,
quando nos dispomos a desvendar.
Damos um passo à frente de nós mesmos,
quando apreciando a caminhada.
O vazio
Tocava-me numa frequência baixa,
com fins expressivos.
Utilizava sempre uma estrutura repetitiva,
um rito de fé religiosa,
até me chamava de santa.
Sem correntes
mantinha-me em sua cama.
Foram anos sem troca.
Ocidental ferramenta:
entre a agulha e um novelo de linha sem ponta.
Atentado contra o pudor
Estas mãos metafóricas,
sinestésicas,
deixam apenas um sim ...
deve ser o blues baby.
Deve ser o blues acetinado
que toma os sentidos.
Sei tudo sobre as delícias desta vida,
quando o som toca as cordas
e me acorda por dentro.
Ainda bem que ultrapassa
os holofotes, ainda bem
que neste acorde
os gatos viram pardos
e se misturam na noite.
Não há como distinguir os afetos
quando colocados na trama
da cama de cada corda.
Um roronar de arrepios:
- o que pode haver mais que este afeto?
Um desapego total,
uma entrega silenciosa
a intimidade posta à prova,
assim é um blues, baby ...
assim é o blues...
O amor
Quando o amor acontece ele vem aos passinhos
para não provocar uma revoada aos pombos.
Se você precisar de um tabuleiro de cartas marcadas,
ai não tem graça, perdeu o seu brilho.
Quando sua estrada escolhida, for a mesma da outra vida,
então não será preciso viajar nas paralelas,
e sim, unir as mãos e caminhar juntos, no mesmo sentido.
Você pode rodar o mundo inteiro buscando pela pessoa,
mas ela pode desde sempre estar ao seu lado,
porque os olhos do coração não precisa de bússola,
de relógio ou carros, ou de grandes eventos,
ele precisa de pulso, de vida, de coragem,
porque ser feliz precisa de entrega.
Uma linda mulher
Não posso colocar aqui um comentário como:
bela, maravilhosa, radiante .... etc ...
Porque já me expressei assim antes.
Pela primeira vez, as palavras saíram correndo de mim.
O estômago, a cabeça, os batimentos,
a respiração de repente se misturavam em arrefecimentos instáveis.
Fiquei simplesmente paralisada,
demorei alguns segundos para retomar a consciência
no tempo atual, o relógio se perdeu no tempo das memorias,
só então após alguns segundos, depois de um verdadeiro hiato,
eu retomei e disse a mim mesma:
- Como um momento pode ser tão terno, a visão tão sublime.
Encantadoramente, caminhando, vinha ela toda sorridente,
como quando em seus primeiros passos
pedindo-me para lhe dar a mão.
Nada pode apagar a emoção que senti, tremi.
Desculpe-me mas precisei parar para dar uma respirada.
Foram tantos anos juntas, que sei lá,
pensei que sempre seria assim.
Suas roupas me enganaram,
essa sua forma casual de ser,
tudo tão delicado que nem reparei,
refletindo agora, à bem da verdade, eu me neguei a ver.
Aí vem você, toda de branco sobre o tapete vermelho,
tentando esconder-se nos trejeitos de menina,
mas que toda sua incontrolável beleza,
veio assim denunciada em seu batom vermelho,
desta vez não deixei-me enganar,
estava sim, perplexa, diante de uma linda Mulher.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Fel social
Velai pelas nossas cabeças, plantai sementes do amanhã,
salvem as crianças, da decadente e mesquinha sociedade que construímos.
Cuidem de nossas crianças e não as colham antes do tempo.
Cuidem de nossas crianças e não as colham antes do tempo.
Salvem-nas dos dogmas, e das cabeças economicistas
que as colocam em cárceres privadas de luz.
Algumas políticas sociais, estão enganando a ordem das coisas,
assim como quando toda a criança brasileira
é colocada expostas em sua frágil estrutura, na ausência de cuidados.
Isso não é casual, e nem tão pouco sensacional,
é colocada expostas em sua frágil estrutura, na ausência de cuidados.
Isso não é casual, e nem tão pouco sensacional,
isso é crime, é desumano, desarranjo, verme, ferida, escória,
infelicidade para a pátria, infâmia maternal.
infelicidade para a pátria, infâmia maternal.
terça-feira, 28 de abril de 2015
E por falar em Abujamra, aqui vai minha saudação véi, entoadas em suas reflexões....
Sou um crítico de mim mesmo,
sou um desesperançado
que invado sem permissão sua hipocrisia.
Mau amado: - não!
Apenas é esse meus mais jovial retrato
o da transgressão, da delinquência,
o da transgressão, da delinquência,
que fez de mim o rei dos CEU'S.
Animado, sem graça,
que provoca os que lá vão para vê-lo,
e trocar um pouco de energia
porque os jovens estão à procura de algo,
talvez uma gargalhada grunhindo em desespero,
afim que se possa disparar as expressões reprimidas.
afim que se possa disparar as expressões reprimidas.
E assim, parti nesta noite, como abrindo uma outra porta,
talvez a mesma que Thomas Bernhard abriu,
sem ao menos se despedir,
porque por ironia eu estava dormindo,
logo eu que zelei com cuidados a minha mente
para sempre mantê-la acordada.
Talvez esse seja o segredo da vida, o inesperado.
porque por ironia eu estava dormindo,
logo eu que zelei com cuidados a minha mente
para sempre mantê-la acordada.
Talvez esse seja o segredo da vida, o inesperado.
Será que os provocadores se despedem,
ou ensinam: a olhar, a escutar,
as coisas que podem não terminar bem,
porque o fracasso e o sucesso, ferosfera,
são iguais porque os dois são impostores
.
(in-memoriam - faleceu em 28/04/2015)
domingo, 26 de abril de 2015
Adultos sem cultura
(Governo Alckmin encerra convênio para curso de Alfabetização para adultos)
Sem mãos
sem fala
sem pernas ...
um vulcão atônito me toma,
menos educação para adultos,
isso significa: - menos cultura
o que equivale a um retrocesso
um hiato no tempo.
Tirar do povo; - e o que o povo espera?
Governantes imperialistas
somam filas para ignorância
perco meu chão, minhas águas.
Epidemias e mortes,
velai povo pelos oprimidos.
Como quem chora, silencio:
- no próximo outubro quais serão as pautas?
Amor e despedida
- Eu te amo: disse eu meio insegura,
depois de horas tentando decifrar seus códigos,
e já com os desejos todo latejando em meu corpo,
e, imaginando suas mãos por entre as minhas pernas.
Tive que segurar meus gemidos.
Você continuou com sua fala acidental,
como de costume,
encostando sua boca nos meus ouvidos,
mantendo-me suspensa, como se tivesse a intenção
de contar-me um segredo.
É porque são ocidentais suas palavras,
quando embargadas pela procura das justificativas.
Na medida certa, inclinando a cabeça para a rua,
olhou-me como quem mostra a estrada.
Apertei sua mão, beijei seu rosto,
e lhe disse mais uma vez: - amo você;
então você com seu olhar me abriu pelo meio, e partiu.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Liberdade
Sinto informar à quem possa se incomodar,
que decreto hoje, que só tomarei nota
de tudo que tocar a minha alma com importâncias.
Declaro também que acredito
no espírito e que este tem morada na alma
e que ambos moram no infinito,
e que por hora nesse meu corpo habito.
Ainda declaro também,
que o que vivi é o suficiente
para eu decidir o que me cabe.
E que portanto, acredito que dois corpos
não ocupam o mesmo lugar no espaço.
Sendo assim, me declaro livre.
terça-feira, 21 de abril de 2015
A Arte e seu portal
A Arte transcende,
com a mesma frequência dos sentimos.
Nenhuma outra porta
nos torna tão inteiros como a Arte.
Ao atravessarmos este portal,
nos encontramos com todas as peças
de nosso quebra cabeça.
Viver sem Arte é como
o Narciso viver sem espelhos,
Ariadne sem a corda,
Alice sem o País das Maravilhas,
o canto sem a voz
e a poesia sem a boca.
O mundo
A subjetividade pode alcançar caminhos
provocando sensações criativas,
os pés alcançam as portas
as mãos as janelas
e a visão o mundo.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Origem
é fechar os olhos e deixar-se ir e vir.
Os caminhos são trechos
que temos que percorrer.
Aquele que tem medo em seguir,
não sabe nada de sua raiz.
Pertencer não é tomar para si,
pertencer é fazer parte,
é o sentimento certeiro de completude,
o seu lugar.
domingo, 12 de abril de 2015
Silêncio
Quando seu silêncio for tão profundo quanto a sua dor,
é porque chegou o limite para um grito.
Quando sua alma somente enxergar dor, então grite.
Grite sempre que seus pássaros forem presos na gaiola,
porque os pássaros são sempre para voar em liberdade.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Porque sim
Ainda bem que existe Walt Whitman,
e suas "folhas na relva",
e suas "folhas na relva",
suas delicadezas bucólicas,
que servem para todos os poetas
que servem para todos os poetas
e aos não poetas também.
Ainda bem que as folhas das gramas
podem se estender sob o céu infinito
podem se estender sob o céu infinito
e ficar assim à me apreciar sem segredos
por entre, por embaixo
e por minhas sombras, sem conflitos.
e por minhas sombras, sem conflitos.
Só para eu poder me assentar
com minhas formas de sonhar,
com minhas formas de sonhar,
em me redescobrir sempre e sem pressa.
Ainda bem que Walt Whitman me isentou dessa culpa ,
em ser demasiadamente humano.
Ainda bem que Walt Whitman me isentou dessa culpa ,
em ser demasiadamente humano.
Acordada
Utopias ou realidade?
Era digital que consome o mundo por utilidades.
Sucesso, devaneios, são quereres.
Somos mais que ferramentas
deste mundo que criamos e recriamos,
esquecendo de nossa humanidade.
Somos o convexo das emoções,
o saco dos caranguejos amarrados
querendo escapar para liberdade
e que se chocam em sua casca dura.
Somos o avesso, a deformidade, a leveza também.
Quem garante neste espaço do tempo em que vivemos,
que, a vida que assumimos está certa ou errada?
Parte de nós naufraga sempre depois de uma realização.
A dureza da vida trás-nos a traição das incertezas.
Concorremos não só com os espaços,
mas com a vida que está dentro de nós que tem seu limite de tempo.
Procuramos reproduzir na incansável busca sem fim
dentro de seu próprio tempo limitado.
Tocamos caminhos levados pelos pensamentos e emoções.
Hora e meia voltamos ao coração,
cabeça, pulso, respiração,
na oxigenação das células
como pensamento primário.
O mundo respira o que é criado,
sem saber que o que se cria é realmente útil.
Utilidade? Essa efêmera criatura criada por nós mesmos.
Logo a revolução está em trocar esta palavra,
mesmo que escondida em paraísos,
quem dera fosse essa a premissa de todas as horas,
e não o desejo apenas pelas realizações.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Caixa de Pandora
E se couber, coloco tudo na caixa de Pandora,
já que os reflexos condicionados entre o claro e o escuro
sempre me convencem a manter o equilíbrio.
Não aposto mais nas fragilidades instáveis do dia-a-dia,
não que isso não seja necessário,
é que hoje já não há mais a certeza de quem somos,
pois estamos espalhados pela cidade,
sempre estereotipados por algo que nem se quer nos identificamos,
apenas criamos e recriamos.
Não aposto mais nas fragilidades instáveis do dia-a-dia,
não que isso não seja necessário,
é que hoje já não há mais a certeza de quem somos,
pois estamos espalhados pela cidade,
sempre estereotipados por algo que nem se quer nos identificamos,
apenas criamos e recriamos.
Blog para divulgação de eventos e espetáculos realizados no Teatro Universitário Cláudio Barradas (Pará)
Ser poeta
Para ser poeta não tem receita, deve ser uma falta ou combinação genética, é ter gosto por aquilo que a maioria nem se quer contempla. Ser poeta é ser um espiador, um louco varrido que faz caminhadas conversando consigo mesmo. É ser insuportável e mesmo assim amar a humanidade, a liberdade e a vontade legítima em estar, simplesmente estar, é o que o senso comum chama de ócio.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
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