quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Rumo norte



Veio em visita, sempre deixou os sapatos em casa,
partiu deixando pegadas.
Não sabia que doía tanto a saudade.
Encaixotei minhas coisas,
e tranquei a porta, e também parti.
Os sonhos se fizeram névoas.
Busquei em mim conter os arrependimentos,
foi fácil, nunca fizemos contrato,
pois no amor, penso eu, não há contratos.
Consegui abrir as caixas
depois de algum tempo
e seu cheiro ainda estava lá.
Fui na maternidade, na floricultura, nos bares,
na biblioteca, na vila, na praça,
todas as cidades que visitei,
tinha sua nítida presença cravada em mim.
Aprendi a ser Sherazade e diluir o tempo em histórias.