terça-feira, 21 de abril de 2015

A Arte e seu portal



A Arte transcende,
com a mesma frequência dos sentimos.
Nenhuma outra porta
nos torna tão inteiros como a Arte.
Ao atravessarmos este portal,
nos encontramos com todas as peças
de nosso quebra cabeça.
Viver sem Arte é como 
o Narciso viver sem espelhos,
Ariadne sem a corda,
Alice sem o País das Maravilhas,
o canto sem a voz
e a poesia sem a boca.

O mundo

A subjetividade pode alcançar caminhos
provocando sensações criativas,
os pés alcançam as portas
as mãos as janelas
e a visão o mundo.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Origem

Cada um sente seu pertencimento,
é fechar os olhos e deixar-se ir e vir.
Os caminhos são trechos
que temos que percorrer.
Aquele que tem medo em seguir,
não sabe nada de sua raiz.
Pertencer não é tomar para si,
pertencer é fazer parte,
é o sentimento certeiro de completude,
o seu lugar.

domingo, 12 de abril de 2015

Silêncio

Quando seu silêncio for tão profundo quanto a sua dor,
é porque chegou o limite para um grito.
Quando sua alma somente enxergar dor, então grite.
Grite sempre que seus pássaros forem presos na gaiola,
porque os pássaros são sempre para voar em liberdade.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Porque sim





Ainda bem que existe Walt Whitman,
e suas "folhas na relva",
suas delicadezas bucólicas,
que servem para todos os poetas 
e aos não poetas também.
Ainda bem que as folhas das gramas
podem se estender sob o céu infinito
e ficar assim à me apreciar sem segredos
por entre, por embaixo
e por minhas sombras, sem conflitos.
Só para eu poder me assentar
com minhas formas de sonhar,
em me redescobrir sempre e sem pressa.
Ainda bem que Walt Whitman me isentou dessa culpa ,
em ser demasiadamente humano.


Acordada

Utopias ou realidade?
Era digital que consome o mundo por utilidades.
Sucesso, devaneios, são quereres.
Somos mais que ferramentas
deste mundo que criamos e recriamos,
esquecendo de nossa humanidade.
Somos o convexo das emoções,
o saco dos caranguejos amarrados
querendo escapar para liberdade
e que se chocam em sua casca dura.
Somos o avesso, a deformidade, a leveza também.
Quem garante neste espaço do tempo em que vivemos,
que, a vida que assumimos está certa ou errada?
Parte de nós naufraga sempre depois de uma realização.
A dureza da vida trás-nos a traição das incertezas.
Concorremos não só com os espaços,
mas com a vida que está dentro de nós que tem seu limite de tempo.
Procuramos reproduzir na incansável busca sem fim
dentro de seu próprio tempo limitado.
Tocamos caminhos levados pelos pensamentos e emoções.
Hora e meia voltamos ao coração,
cabeça, pulso, respiração,
na oxigenação das células
como pensamento primário.
O mundo respira o que é criado,
sem saber que o que se cria é realmente útil.
Utilidade? Essa efêmera criatura criada por nós mesmos.
Logo a revolução está em trocar esta palavra,
mesmo que escondida em paraísos,
quem dera fosse essa a premissa de todas as horas,
e não o desejo apenas pelas realizações.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Caixa de Pandora

E se couber, coloco tudo na caixa de Pandora,
já que os reflexos condicionados entre o claro e o escuro
sempre me convencem a manter o equilíbrio.
Não aposto mais nas fragilidades instáveis do dia-a-dia,
não que isso não seja necessário,
é que hoje já não há mais a certeza de quem somos,
pois estamos espalhados pela cidade,
sempre estereotipados por algo que nem se quer nos identificamos,
apenas criamos e recriamos.



Blog para divulgação de eventos e espetáculos realizados no Teatro Universitário Cláudio Barradas (Pará)

Ser poeta

Para ser poeta não tem receita, deve ser uma falta ou combinação genética, é ter gosto por aquilo que a maioria nem se quer contempla. Ser poeta é ser um espiador, um louco varrido que faz caminhadas conversando consigo mesmo. É ser insuportável e mesmo assim amar a humanidade, a liberdade e a vontade legítima em estar, simplesmente estar, é o que o senso comum chama de ócio.

domingo, 25 de janeiro de 2015

La partenza

As torrentes atemporais
movimentavam massas.
Minha pessoa estava cru,
tinha uns verbetes em italiano na mala
e o coração cheio de vaidades satisfeitas.
As moléculas transitavam muito mais quentes
por minhas emoções viajavam.
Tudo parecia uma questão óbvia,
eu mantinha uma ansiedade morna.
Pensei várias vezes em que levaria para esta viajem, 
tentei me colocar a vontade com o tempo.
Mas ao toque da maçaneta do meu quarto
eu pude perceber que as emoções estavam diferentes.
"Sgonfio e pieno, essere l'ora".
mas nem sempre é estar totalmente pronto.
Precisava urgentemente me sentir comum,
porque tudo estava um pouco pesado. 
Pensei no vinho, na macarronada, 
e tentei me abstrair na leveza.
Programei despedidas,
passei a tarde com minha mama,
e senti a força que vinha dela. 
Tomei um porre e relaxei na poltrona
me acomodando num novo formato agora.

quinta-feira, 10 de abril de 2014