quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Incerteza





Essa coisa de achar
se não tem certeza,
é melhor perder de vez.

Maturidade





Caminhei pela praia
exibindo minhas novas formas,
sorridente porque estava madura,
barriguinha, celulite e seios flácidos.
Quando era jovem,
sempre admirei as marcas do tempo
no rosto dos amigos mais velhos,
parecia a reverencia da sabedoria
que torna as pessoas
geograficamente reais.

Travas da gaveta





Boa noite!
Cheguei tarde?
É que eu tive problemas
com as travas da gaveta
e no encontrar o batom
que coloriu a minha boca
a noite passada.
Desabotoada me sinto
tanto que minha pintura intima
escorreu pela cidade.
Boa noite.
Tentei engajar sua lucidez antes da minha
dentro do meu corpo miúdo,
compactuado com a brutalidade
deliberada de sua crueza.
Boa noite.
Esperei de você a presença
Para fechar o meu vestido,
e me alargar no vão
entre o céu e o inferno
que conduz a tranqüilidade a minha alma.
Boa noite.

Gravidade (conto poético)





Gentilmente naquela manhã uma senhora cumprimentou-me com um leve balançar de cabeça. Algo dentro de mim contracenou com aquela expressão, e uma leve brisa espalhou todas as folhas no chão. 
Tive ciúme do tempo que fazia, do sopro que ventava por dentro, queria que me levassem, pedi, mas meu jeito estrangeiro não significava nada para ninguém. 
Os tormentos em delírios me fizeram rir, persegui o balançar das cabeças de todas as pessoas que por mim passavam, me comportei como uma criminosa procurando vítimas, ou um psiquiatra catalogando surtos. 
Era fácil seguir, a precisão era de ir até o fim do mundo, buscar não sei o quê, ou apenas pessoas que balançassem a cabeça. 
Dormi na praça aquela noite, pela manhã vi que estava sozinha e aquela sensação ainda não passara, e o único contato que tinha era a luz verde-avermelhada que vinha do céu me dando um banho.
As pessoas passavam por seus destinos a minha frente, tentei pegar carona, encostei a cabeça no banco, me vi na criança que empurrava o aro sem pneu de uma bicicleta, num mascate que repunha sua barraca de bugigangas, numa mulher ainda bêbada pela noite a perseguir baratas.
O sentimento em mim era um sentimento dormente de incômodo.
Uma criança sentou ao meu lado e começou a brincar com bolinhas de sabão, tive uma fragmentação intensa de minhas emoções, senti-me aquelas bolinhas que inflavam com o ar e voavam com o vento, não aguentando mais a gravidade, eu explodi.




Feliz cidade




              
Para Denise Motta Dau

Mulheres que vão pra luta têm o sorriso da vitória no rosto.
Aquelas que levam a bandeira na mão provocam uma revolução nos sentidos.
Luta que se preza tem história.
Mulheres intercalam os destinos
Quando de um único instante subtrai da ação que grita
Seus planos, procurando ecoar pela multidão todas as cores pungentes.
O alívio da hora determinante em busca de mãos parceiras vem,
Só quem está na linha de frente pode entender do que se trata a importância.
De repente surge um cordão de flores estendido sobre a cidade,
Lá vai ela tomar fôlego porque a luta é bela.
Agora a cidade apagada de ideias, - brilha!
Porque se pouco, e que seja muito, mas isso não importa,
Avançaremos mais amanhã!
Unidas por nossas crenças,
Nossas esperanças,
E por mulheres determinadas,
Juntas, acenderemos todas as luzes apagadas desta cidade.
Feliz Cidade agora.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Gravidade



Gentilmente naquela manhã, uma senhora cumprimentou-me com um leve balançar de cabeça. Algo dentro de mim contracenou com aquela expressão, e uma leve brisa espalhou todas as folhas no chão.
Tive ciúme do tempo que fazia do sopro que ventava por dentro, queria que me levassem, pedi, mas meu jeito estrangeiro não significava nada para ninguém.
Os tormentos em delírios me fizeram rir, persegui o balançar das cabeças de todas as pessoas que por mim passavam, me comportei como uma criminosa procurando vítimas, ou um psiquiatra catalogando surtos.
Era fácil seguir, a precisão era de ir até o fim do mundo, buscar não sei o quê, ou apenas pessoas que balançassem a cabeça.
Dormi na praça aquela noite, pela manhã vi que estava sozinha e aquela sensação ainda não passara, e o único contato que tinha era a luz verde-avermelhada que vinha do céu me dando um banho.
As pessoas passavam por seus destinos a minha frente, tentei pegar carona, encostei a cabeça no banco, me vi na criança que empurrava o aro sem pneu de uma bicicleta, num mascate que repunha sua barraca de bugigangas, numa mulher ainda bêbada pela noite a perseguir baratas. O sentimento em mim era um sentimento dormente de incômodo.
Uma criança sentou ao meu lado e começou a brincar com bolinhas de sabão, tive uma fragmentação intensa de minhas emoções, senti-me aquelas bolinhas que inflavam com o ar e voavam com o vento, não agüentando mais a gravidade explodi.